Tentamos explicar por que o Corolla segue reinando absoluto no Brasil

Olhando as tabelas com as lideranças de cada segmento do mercado automotivo brasileiro (veja aqui) podemos entender (nem sempre concordar) que cada líder tem uma razão para estar naquela posição. Se pegarmos especificamente o segmento dos sedãs médios – um dos mais movimentados do mercado – compreendemos a liderança do Corolla sobre Civic, Cruze e demais rivais. Mas o que será que explica o fato de o sedã da Toyota ter mais de 40% de participação nesse segmento, vendendo mais neste ano do que a soma dos outros quatro rivais mais próximos dele?

Enquanto o Corolla emplacou 28.554 unidades no primeiro semestre de 2018, o segundo lugar, o Honda Civic, vendeu 13.142 modelos, menos que a metade do que o líder. Na terceira posição vem o Chevrolet Cruze, com 9.705 emplacamentos (ver tabela abaixo). Essa liderança folgada do Corolla não é de hoje. No mesmo período do ano passado, o sedã da Toyota estava com a mesma vantagem sobre seus adversários.

Razões para tamanho sucesso? A resposta não é simples e envolve uma série de fatores. Vamos listar alguns deles agora:

1) Confiabilidade: É raro encontrar um dono de Corolla reclamando de sucessivos defeitos em seu carro e afirmando que nunca mais comprará outro Toyota na vida. Claro que problemas podem ocorrer em qualquer veículo, mas alguns (como o Corolla) não são de deixar seus donos na mão e de visitar muito as oficinas. Mérito da Toyota. Só que, a Honda também é uma marca com alto índice de confiabilidade no mercado, mas, mesmo assim, o Civic não consegue mais incomodar o Corolla. Então precisamos achar outras razões.

2) Publico alvo: Quem observa o mercado automotivo nos últimos anos notou que os sedãs médios cresceram não só nas medidas, mas também nos preços. Esse fenômeno afastou ainda mais os jovens desse segmento, fazendo do publico alvo pessoas (principalmente homens) acima dos 40 anos. E com essa faixa de público a Toyota sempre dialogou perfeitamente com o Corolla. Os designers da marca nunca ousaram o suficiente para assustar seus clientes, mantendo o estilo mais conservador, principalmente no interior do sedã. Comparando a parte interna do Corolla com Civic e Cruze você entenderá porque ele agrada mais seu público alvo. Na parte externa, o Civic arranca suspiros dos jovens, mas poucos podem pagar os mais de R$ 100 mil que a Honda cobra por tanta ousadia.

3) Ajustes finos: Se no visual e na entrega de mimos tecnológicos no interior o Corolla não empolga, no conjunto mecânico… acontece a mesma coisa. Tanto o motor 1.8 de 144 cv de potência e 18,6 kgfm de torque como o 2.0 de 154 cv e 20,7 kgfm, ambos acoplados a um bom câmbio CVT, não empolgam. As duas versões carregam o sedã de 1,3 tonelada sem esforço, mas também não são capazes de fazer abrir aquele sorriso quando o condutor pisa com mais vigor no pedal do acelerador. Mais um vez, a confiabilidade da Toyota pesa nesse quesito, pois dificilmente esses motores vão exigir mais manutenção do que as revisões regulares. Vale lembrar que seus rivais mais próximos oferecem versões com motorização turbinada. O que manda muito bem mesmo no Corolla é a suspensão. O acerto da Toyota é equilibrado, passando confiança nas curvas sem tirar o conforto em ruas mais esburacadas. É algo parecido com o que a Chevrolet faz com o Cruze. Já o Honda Civic é nitidamente mais “calibrado” para a esportividade, com uma suspensão mais firme.

Concluindo…

O que podemos resumir dessa nossa tentativa de explicar o reinado absoluto do Corolla no Brasil (mesmo sendo um dos mais caros de sua categoria): Ele não tem o visual mais ousado, por dentro e por fora, como tem o Honda Civic; não entrega nem de perto o mesmo nível de equipamentos de tecnologia que o Cruze; e, com seus motores aspirados, come poeira de um Jetta TSI.

Entretanto, o Corolla tem aqui no Brasil um status que ele não possui em nenhum outro mercado. Por tudo isso, somado ou subtraído, o sedã da Toyota deverá seguir seu reinado sem adversários a altura. A Volks aposta no novo Jetta, que chega renovado neste ano ainda. Mas para tentar se aproximar do pódio, o sedã alemão terá que ter uma proposta ousada de preços. Aguardemos!

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