Kia EV6, elétrico, faz 4.365 km em testes no Brasil

A Kia escolheu o Brasil como parte do seu trajeto para os testes do novo EV6 na América do Sul. Por aqui, o novo modelo passou por um teste de longa duração, realizado entre 17 e 27 de março, em um percurso que totalizou 4.365 km.

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Para realizar a primeira parte da jornada – Itu-Montevidéu –, três joranlistas se revezaram ao volante. O planejamento da viagem teve início dois meses antes, em janeiro de 2022, cuja tarefa mais árdua foi checar os pontos de carregamento em território brasileiro, especificamente nos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Do Chuí, no extremo Sul do País, até Montevidéu, havia – e há – garantia de carregamento, já que o Uruguai possui a infraestrutura das Rotas Elétricas, com pontos de abastecimento entre 7quilowatts/h e 43 quilowatts/h, na média.

Embora a autonomia do EV6 seja de 530 km, os organizadores da jornada entenderam por bem “trabalhar” com uma margem de segurança, ou seja, de 480 km. A diferença de 50 km ficaria por conta dos possíveis pontos de carregamento programados, mas inativos, fato que ocorreu na cidade de Pelotas, ou ainda, em caso de manutenção desses pontos ou até mesmo ocupados por longo período por outro usuário de carro elétrico.

O primeiro trecho 756 km, de Itu a Florianópolis, foi feito em 13 horas, com três paradas para carregamento. “Inicialmente o planejamento seria somente com duas paradas”, explica Márcio Alexandre, “mas optamos por uma parada intermediária em Campina Grande do Sul (PR) como ‘prevenção’”.

A segunda etapa da viagem compreendeu Florianópolis a Porto Alegre, trecho com 454 km. O EV6 largou com autonomia de 514 km, suficiente para alcançar a capital gaúcha. No entanto, o engenheiro da Kia havia programado uma parada, de modo a chegar no destino com maior autonomia possível. Ainda assim, a expedição fez duas paradas.

“O trecho percorrido até a segunda parada foi de 207 Km, onde encontramos uma estação de carga rápida. Durante esta parada, observamos algo que é constantemente discutido, o trecho percorrido, no odômetro, foi de 207 km, porém, ao calcular a autonomia, vimos que a diferença entre a saída de Florianópolis mostrava uma diferença de 220 km. Ou seja, a maneira de condução do veículo tem total influência na autonomia do veículo”, destaca Márcio Alexandre.

De Porto Alegre a Pelotas, trecho de 263 km, não foram realizados recarregamentos. Após abastecer em uma estação do tipo “wall box”, de 11 quilowatts/h, a expedição seguiu direto para Pelotas, a penúltima cidade antes de cruzar a fronteira com o Uruguai, onde o EV6 pernoitou “conectado” a uma estação comum de 220 volts, de apenas 1 quilowatt/h.

O quarto trecho, de Pelotas ao Chuí, foi o mais desafiador. São 260 km de distância; a autonomia anotada era de 239 km. A próxima parada foi no Taim, a 142 km. Pouco antes do almoço, a expedição chegou no posto com apenas 69 km de autonomia, quando – em realidade – o correto era ter chegado com 97 km.

“Acontece que a maneira de conduzir o veículo não altera a distância, mas pode alterar a autonomia e foi exatamente isso que ocorreu”, analisa Márcio Alexandre. “Se tivéssemos conduzido o veículo de maneira econômica, poderíamos ter um ganho na autonomia e menor tempo de recarga”, enaltece.

Por conta do carregador comum de 220 volts, o EV6 permaneceu naquele local das 11h30 às 19h. E ainda com apenas 118 Km de autonomia (e não com os 130 km), devido às fortes oscilações que estavam ocorrendo na rede de energia do posto.

Diante desse cenário, houve a elevação da pressão dos pneus e adotou-se o modo de condução do automóvel mais econômico, para vencer os 118 km restantes. Chuí brasileira e Chuy uruguaia foram alcançadas com êxito para, na sequência, ter mais um obstáculo.

Do Chuy, já em território uruguaio, foram percorridos 120 km. O EV6 estacionou diante da estação de carregamento com 28 km de autonomia. Houve um ganho de 26 km somente com a maneira de dirigir. Nos trechos anteriores, o saldo de autonomia foi negativo, em razão do modo de condução, subidas, trânsito em alguns trechos… No trecho de 120 km, o saldo foi positivo.

A equipe teve de pernoitar em Chuí/Brasil. No dia seguinte, decidiu-se que não havia necessidade de sete integrantes da expedição permanecerem naquela cidade. Assim, jornalistas e assessor de imprensa seguiram viagem com o veículo de apoio, enquanto o engenheiro, fotógrafo e o videomaker ficaram na cidade-fronteira para o reabastecimento, o que ocorreu somente no período da tarde, por mais de três horas e meia, para chegar à autonomia de 340 km e vencer a distância de 327 km.

Em Montevidéu, o EV6 foi direto para o posto de abastecimento para carregamento total. Fim da primeira etapa. Em paralelo, a Kia Uruguay, providenciava a aquisição de um cabo de conexão, em caso de – em território uruguaio – haver necessidade e também no retorno do EV6 a Itu.

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