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Entenda como o T-Cross vai se virar para não ser “engolido” pelo Nivus

Desde quando a Volkswagen do Brasil anunciou que estava criando um novo SUV compacto para o mercado nacional, muita gente perguntava como ficaria o recém-lançado T-Cross dentro da gama da montadora. O jipinho demorou para engrenar nas vendas, mas quando conseguiu acelerar eis que chega um concorrente dentro da própria marca. Antes do lançamento do Nivus, o que todos afirmavam – inclusive a gente – era que o SUV/Cupê compacto engoliria as versões de entrada e intermediária do T-Cross, restante a ele apenas espaço para o Highline com motor 1.4 250 TSI. Mas a história não é tão simples assim.

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Depois que testei o Nivus por alguns dias em diversas situações e que pude conversar com pessoas de dentro da Volks sobre a estratégia da montadora para seus SUVs compactos e consegui entender que os dois modelos poderão conviver com certa harmonia dentro de casa. Um pouco de fogo amigo é inevitável, mas nada fatal para nenhum deles.

Nivus e T-Cross têm muito mais diferenças do que se imagina. É fato que eles dividem a mesma plataforma, o mesmo conjunto mecânico 200 TSI com câmbio automático de seis velocidades e outras tecnologias que estão presentes em praticamente em todos os modelos da “Nova Volkswagen”, que nasceu com o novo Polo, em 2017.

Vamos começar falando pela diferença mais obvia: o estilo. Enquanto o T-Cross esbanja a identidade de um “jipinho” um pouco mais aventureiro, o Nivus inaugurou por aqui entre os compactos o visual cupê, que já era tendência entre os utilitários premium. A Volks também fez questão de associar o T-Cross em todas as suas campanhas de lançamento o público feminino, o que faltava um pouco para a marca no país. E deu certo, o jipinho cai no gosto das mulheres (também dos homens) e vem se firmando entre os mais vendidos da categoria. Já o estilo mais esportivo do Nivus tende a agradar mais ao público masculino. Lembrando que essa está longe de ser uma fórmula exata: nenhum carro é 100% voltado para um gênero específico. Portanto, nesse aspecto a Volks seguirá mantendo a mesma estratégia familiar para o T-Cross.

A dirigibilidade é outro ponto de diferencial entre os SUVs compactos da Volks. O T-Cross tem uma posição elevada de direção que garante uma melhor visibilidade, além da tal sensação de segurança que muita gente fala e usa para justificar a compra de um SUV. Já no Nivus é impossível não lembrar do Polo assim que você senta a assume o volante. Mesmo sendo mais alto que o hatch, a semelhança entre Nivus e Polo é notória na direção.

A semelhança entre Nivus e Polo também é facilmente notada para quem está no assento traseiro. O espaço para as pernas é menor do que no T-Cross, que tem o entre-eixos semelhante ao do sedã Virtus. Esse é um ponto que será trabalhado pelos vendedores das concessionárias da Volks para reforçar o aspecto familiar do T-Cross. Para quem precisa de mais espaço para os passageiros do que para as bagagens, o jipinho é mais apropriado. O ponto positivo para o Nivus nesse aspecto é o porta-malas maior de 415 litros, contra 373 litros do T-Cross.

Além do fator novidade e do visual mais moderno, a tecnologia a bordo era outro ponto dos mais apontados para justificar a profecia pessimista para o futuro do T-Cross. De fato, nesse quesito, o Nivus Highline dá um banho no T-Cross Comfortline, que têm o mesmo motor 1.0 turbo. O jipinho já é vendido com bônus nas lojas para não ficar mais caro que o recém-chegado que tem uma nova e poderosa central multimídia e sistemas de direção semi-autônomas, como ACC e frenagem de emergência.

Para deixar o T-Cross mais competitivo nesse sentido, a Volks vai levar parte dos equipamentos do Nivus para o jipinho. Claro que isso vai encarecer um pouco mais o modelo, mas, pelo menos, não vai deixar o T-Cross defasado em relação ao cupê. Além disso, para quem busca um SUV compacto e quer um desempenho melhor, o T-Cross Highline seguirá soberano dentro da marca. O mesmo também vale para a versão exclusiva para PCD, que fica abaixo dos R$ 60 mil, algo distante do Nivus.

A estratégia da Volks para o Nivus é clara em deixá-lo como porta de entrada de sua gama SUV. Fica posicionado, em relação ao preço, muito perto tanto de Polo Highline, mas se iguala às versões intermediárias do T-Cross. Esse ponto de intercessão entre algumas versões dos dois SUVs não é ruim para a montadora, desde que os clientes fiquem em dúvida entre Nivus e T-Cross e não entre um deles e os rivais de outras marcas. Caberá aos vendedores da Volkswagen saberem explorar os aspectos únicos que cada um deles têm para que o consumidor não lembre de Tracker, Renegade, Creta…

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