Novo Jeep Wrangler é desafiado na Rubicon, a trilha mais difícil do mundo

Lake Tahoe (EUA)A história diz que a Rubicon Trail, considerada a trilha mais difícil do mundo, classificada com a nota 10 de grau de dificuldade, seria um desafio e tanto. E de primeira, os alertas dos jipeiros que comandaram a operação foram os seguintes: preservem a natureza, respeitem o meio ambiente e cumpram a regra básica: ligue o 4X4 na função reduzida e preparem-se. Os instrutores, Jeepers Jamboree, já sabiam que aquela seria a mais incrível trilha que já encarei em toda a minha carreira profissional. E olhe que são quase 25 anos de performance.

A Rubicon Trail serviu de teste para provar as habilidades no mundo fora de estrada (literalmente fora) e encarar a vida sem sinal de celular, acampamento sem luz em um lugar pra lá de encantador no topo da região de Lake Tahoe, entre os estados da Califórnia e Nevada.

Um Jeep e nada mais. A montadora que fincou bandeira em Pernambuco apresentou nos Estados Unidos, na Rubicon, o novo Wrangler. Para os brasileiros, o carro será exibido no Salão do Automóvel de São Paulo, em novembro, nas versões duas e quatro portas, com motor 2.0 turbo de 270 cavalos de potência e um torque e tanto. Mas o Wrangler e suas impressões ao volante eu falo, ou melhor, escrevo depois.

O roteiro que começou no Recife, fez stop em São Paulo, Dallas e Reno cumpriu a tabela das 24 horas entre aeroportos e voos. No lugar de partida, o luxuoso Ritz Carlton Lake Tahoe nesse caso, com a paisagem florida, sem neve e durante o dia cumprindo o papel de calor com o termômentro indicando 34 graus enquanto a noite, por exemplo, a temperatua descia para 5 graus.

O trecho on road de aproximadamente 34 quilômetros, antes de chegar na trilha, serviu para entender o carro na estrada. Como ele entraria no combate contra as pedras e como voltaria sem qualquer ruído. Depois disso foram aproximados 20 quilômetros no primeiro dia, antes do acampamento noturno. Tudo feito em seis horas em velocidade máxima de 10 Km/h.

No dia seguinte…
A Rubicon é algo que não se esquece. De terreno acidentado, composto de pedras compactas e centenas de rochas do mais variado tamanho criando caminhos apertados e exigindo das longarinas do chassi do Wrangler um teste de resistência. O aço em contato com as rochas fazia um barulho e tanto, que incomodava o motorista, no caso, eu, na maior parte do tempo sozinho, diante do desafio, no modelo de quatro portas, sem as portas, no melhor contato com a natureza, no carro com teto de lona e a poeira como companhia. No banco traseiro apenas uma caixa térmica com água e isotônicos.

Na trilha, só subindo serras e vencendo a floresta, quase quatro horas depois, a parada para o lanche rápido, trazido de helicóptero, e o sossego do alto da montanha na paisagem e na trilha, que no passado foi usada pelos índios para fazer comércio. E sabe de uma coisa: nada teria acontecido sem a participação dos Jamboree. Ninguém conseguiria terminar o segundo tempo da trilha, no segundo dia, sem o apoio visual dado por eles que são os donos do pedaço. A paisagem até agora não sai da minha cabeça. 

Quem são os Jeepers?

O Jamboree é um grupo de aficionados por off-road da cidade de Georgetown que resolveu promover uma expedição para cruzar a região pela primeira vez em 1952. Em agosto de 1953 uma turma de 55 jipes e 155 pessoas fizeram a primeira travessia em grupo da Rubicon Trail aberta por cerca de dois meses apenas, entre julho e agosto.

A noite demora a chegar e por volta das 17h30, horário local, chegamos ao Rubicon Springs. Um oásis de acampamento com direito a caçar o sono no silêncio da mata, sem medo dos ursos ou animais nativos. O que incomodava mesmo era o ronco ensurdecedor dos vizinhos.

No dia seguinte, acordando com dois graus, café da manhã e volta ao mundo off road. A aventura sem busca da saída, nesse ponto a retomada da trilha foi radical. As rochas pareciam que aumentavam de tamanho e os espaços diminuíam. Em um momento, o Wrangler 2019 dançava em cima das pedras, como se fosse rebolar para sair de ladinho.

O Lake Tahoe como visão final, no fim da tarde do segundo dia, depois de testar toda minha perícia como amante de trilha, era o prêmio pela vitória. O belo lago separa a Califórnia, onde o jogo é proibido, de Nevada, local cheio de cassinos liberados e isso você já observa dentro do aeroporto.

A dica é…
Para chegar lá a opção do roteiro é a que fiz e comentei no começo do artigo ou aproveitar mais e descer em São Francisco, roteiro obrigatório (na ida ou na volta). São três horas de carro. A cidade de Sacramento também fica no seu “entorno”, região próxima.

Se ligue aqui. Veja mais sobre a trilha e suas exigências em relação ao carro (alugue um Wrangler) acesse o site www.jeepersjamboree.com ou www.rubicontrail.org.

A sorte vai atrás da coragem

Novo design, mesmo com mudanças suaves, e motor mais eficiente só não devem concorrer com o preço de mercado acima dos R$ 250 mil no Brasil. O redesenho da grade frontal sem a logo do fabricante, faróis bonitos com luzes diurnas, para-lamas refeitos, novas rodas (em nosso caso aro 33), para-choques e lanternas traseiras reprojetadas ficaram de muito bom gosto. Esse é o resumo visual no novo Wrangler.

O astral do puro lifestyle, pense que o para-brisas é basculante, as portas e o teto podendo ser retirados e tudo isso marcando o estilo de vida do dono do Jeep, que provou de tudo e saiu bem da aventura voltando a rodar no asfalto como se nada tivesse acontecido.

O Wrangler de suspensão mais firme é divertido e tinha que ser. Com ou sem capota, não importa o estilo. A Jeep no detalhe técnico disse que melhorou em 9% o coeficiente de penetração aerodinâmica.

Por dentro, as mudanças foram bem legais trazendo pouco plástico e muito mais couro no acabamento. O multimídia de 8,4 polegadas compatível com Apple CarPlay e Android Auto é de segunda geração Uconnect manda bem com qualidade sonora aceitável. Os botões dos comandos emborrachados são bem legais.

O volante multifuncional, a alavanca do acionamento da tração (nada de botão, o carro é raiz) e o pomo da marcha são robustos sem perder a elegância. Fácil acionar o 4X4 acusado nos relógios do painel.

A Jeep utiliza alumínio nas tampas e portas suavizando o shape do utilitário. Para medição de força, nada do motor a diesel, por enquanto. A aposta é o 2.0 turbo a gasolina de 271 cv e 40 Kgfm de torque. Eu, sinceramente não apelaria para o óleo combustível. O câmbio de oito marchas ajuda e no quesito conforto ponto para quem vai na frente e dureza para quem viaja atrás com os joelhos bem levantados, apesar do espaço interno ser bom.

Quanto aos números seguem: 44 graus de ângulo de ataque, 27,8 graus de transposição ventral e 37 graus de saída. Mas o nosso Rubicon, modelo testado, tem um 4X4 mais forte chamado de Rock-Track com reduzida mais curta. E a engenharia aponta para os eixos reforçados. E o freio? Uma cola nas rodas. Pisou ele crava rápido.

Jorge Moraes viajou a convite da Jeep

Deixe uma Resposta

Seu e-mail não será divulgado.
Campos marcadas com * são obrigatórios